A confiança dentro das famílias brasileiras atingiu o menor patamar desde o início da série histórica do Índice de Confiança Social (ICS), elaborado pelo Ipsos-Ipec. Embora a família ainda seja a instituição em que os brasileiros mais confiam, o índice caiu de 91 pontos, em 2010, para 80 pontos em 2026, refletindo um cenário de desgaste nas relações pessoais.
Entre os principais fatores apontados por especialistas está a explosão das apostas esportivas online, as chamadas "bets". O vício em jogos tem provocado endividamento, ocultação de dívidas e rompimento de vínculos familiares. Em muitos casos, o problema só é descoberto quando as finanças da casa já foram comprometidas, desencadeando crises conjugais, separações e conflitos entre pais, filhos e demais familiares.
Além do impacto financeiro, o comportamento compulsivo relacionado às apostas favorece a perda de confiança. Como as transações são feitas pelo celular e de forma discreta, muitos apostadores escondem o hábito por meses ou até anos, alimentando mentiras e comprometendo a convivência familiar.
O levantamento também mostra que a desconfiança não se limita ao ambiente doméstico. Mulheres afirmam confiar menos nas pessoas do que os homens, enquanto fatores como a polarização política, os efeitos da pandemia e o aumento da insegurança econômica também contribuem para o enfraquecimento dos laços sociais.
Para especialistas, o avanço das apostas online tornou-se um dos principais desafios sociais da atualidade. O crescimento acelerado do setor, aliado ao fácil acesso por meio de aplicativos e à promessa de ganhos rápidos, tem levado milhares de brasileiros ao endividamento e colocado em risco a estabilidade financeira e emocional de inúmeras famílias.

