A segurança da Tríplice Fronteira entra em uma nova fase de coordenação com a passagem da presidência do Comando Tripartite para o Brasil. A partir de Foz do Iguaçu, a Polícia Federal ficará responsável pela articulação do grupo durante os próximos quatro meses.
A mudança ocorreu na quarta-feira (30), quando a Argentina encerrou seu período à frente do colegiado. A presidência é rotativa entre os três países e, após a gestão brasileira, a previsão é que o Paraguai assuma o comando em janeiro de 2027.
O Comando Tripartite reúne instituições de segurança dos três países e tem como principal objetivo facilitar a troca de informações e a realização de ações coordenadas contra organizações que atuam além das fronteiras.
Entre os crimes acompanhados estão tráfico de drogas, contrabando, tráfico de pessoas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e roubo de veículos. Cada força continua atuando dentro do próprio território, mas o compartilhamento de informações permite respostas articuladas entre Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazú.
Operações simultâneas ganham espaço
Um dos exemplos recentes dessa integração ocorreu em setembro, quando equipes dos três países realizaram fiscalizações simultâneas na região. Em Foz, Puerto Iguazú e Ciudad del Este foram feitas abordagens de veículos, verificações documentais e consultas a bancos de dados para identificar irregularidades e pessoas procuradas pela Justiça.
A estrutura de cooperação também permite que informações sobre veículos suspeitos sejam verificadas rapidamente entre os países. Durante o período de comando argentino, por exemplo, quatro veículos apreendidos na Argentina apresentavam registro de roubo no Brasil.
Ao todo, a Argentina informou ter apreendido 17 veículos durante a Operação Nexus, realizada entre agosto e setembro. Parte das ocorrências estava relacionada ao transporte de cigarros contrabandeados.
Grupo completa 30 anos
Criado em 1996, o Comando Tripartite completou três décadas de atuação em 2026. A estrutura se consolidou como um dos principais mecanismos de cooperação policial na região de fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.
Agora sob coordenação brasileira, a Polícia Federal de Foz do Iguaçu será responsável pela organização das reuniões, pelo intercâmbio de informações e pela articulação das ações conjuntas durante o período de quatro meses.
Até o momento, a PF não divulgou um calendário específico das próximas operações nem as prioridades que serão adotadas durante a presidência brasileira.
