O Paraguai vive uma das maiores crises políticas dos últimos anos após o Senado aprovar, nesta sexta-feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña. A decisão foi tomada em meio às denúncias envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira que entrou em processo de liquidação e deixou milhões de clientes sem acesso aos serviços bancários.
A votação ocorreu depois de dois dias de tensão no Congresso Nacional. Mesmo tendo anunciado sua renúncia na quinta-feira (5), Peña acabou submetido ao julgamento político, que terminou com sua declaração de culpabilidade por mau desempenho das funções e consequente destituição do cargo.
O presidente não compareceu à sessão para apresentar sua defesa pessoalmente e foi representado por advogados. A defesa contestou a legalidade do procedimento e alegou que o prazo concedido para preparar os argumentos era insuficiente.
Crise do Ueno Bank provocou queda
O processo de impeachment foi impulsionado pela crise do Ueno Bank, controlado pelo Grupo Vázquez. A instituição teve suas atividades interrompidas após medidas do Banco Central paraguaio, que identificou problemas financeiros e irregularidades em operações de crédito.
O banco atendia aproximadamente 2,9 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos ligados à previdência.
A oposição acusou Peña de possível conflito de interesses, favorecimento empresarial e omissão diante de irregularidades na fiscalização da instituição. O presidente havia mantido participação societária em uma holding ligada ao grupo controlador do banco até março de 2025.
As denúncias também provocaram manifestações populares em Assunção e em outras cidades paraguaias, incluindo Ciudad del Este. Os protestos reuniram clientes que cobravam a devolução dos recursos bloqueados e explicações das autoridades.
Vice-presidente assume a Presidência
Com a destituição de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Paraguai e deverá permanecer no cargo até agosto de 2028, quando termina o atual mandato presidencial.
A mudança ocorre em um momento de forte pressão sobre as instituições políticas e financeiras do país. Além da crise bancária, o caso abriu caminho para investigações judiciais envolvendo suspeitas de irregularidades e possíveis responsabilidades de autoridades públicas.
A destituição também retira a proteção institucional que Peña poderia obter caso sua renúncia tivesse sido aceita, ampliando as possibilidades de responsabilização na Justiça comum.
O episódio representa uma mudança importante no cenário político paraguaio e poderá ter reflexos sobre a confiança dos investidores, o sistema financeiro e a estabilidade institucional do país vizinho.

