A Polícia Militar do Paraná deflagrou nesta sexta-feira (16) a Operação Zeitgeist, que investiga o compartilhamento de imagens e vídeos de violência, tortura e pessoas em situação de vulnerabilidade durante ocorrências policiais.
A ação resultou no afastamento cautelar de 12 policiais militares, incluindo um oficial, das atividades operacionais. Ao todo, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão em 12 municípios do estado.
As investigações apontam que policiais teriam fornecido imagens registradas durante ocorrências para uma página administrada por um civil. Parte do material era divulgada em redes sociais, enquanto conteúdos mais completos eram disponibilizados em grupos fechados no Telegram, mediante pagamento de assinatura.
Entre os registros investigados estão imagens de pessoas detidas, feridas, moradores em situação de rua e indivíduos abordados por agentes de segurança. Também são apurados conteúdos relacionados a possíveis agressões e práticas de tortura.
Cerca de 42 policiais foram inicialmente identificados como participantes do ambiente digital investigado. No entanto, a participação em grupos não significa, por si só, que todos tenham produzido, enviado ou comercializado material irregular. A responsabilidade de cada envolvido será analisada individualmente.
A investigação começou após uma denúncia recebida pela Corregedoria da Polícia Militar. O perfil investigado publicava parte das imagens em redes sociais e direcionava usuários para um grupo fechado, no qual o acesso a conteúdos adicionais era oferecido mediante pagamento.
Durante a operação, foram apreendidos 26 celulares, três notebooks, um tablet, três pendrives, dois discos rígidos e um cartão de memória. Também foram recolhidos uma arma de fogo e munições.
Três pessoas foram presas em flagrante durante as diligências, por ocorrências relacionadas a irregularidades envolvendo armas e munições.
Os equipamentos apreendidos serão submetidos à perícia para identificar arquivos, conversas e possíveis outros envolvidos. A investigação segue em andamento.
Os policiais afastados ainda são investigados, e a medida tem caráter cautelar. Eventuais responsabilidades criminais e administrativas dependerão da análise das provas e da conclusão dos procedimentos legais.
