Ação reúne refugiados e migrantes em busca de emprego e oportunidades

Evento ofereceu revisão de currículos, apoio com documentação, capacitação, orientação para empreendedorismo e acesso a vagas de trabalho RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL


Uma ação voltada à empregabilidade de refugiados e migrantes reuniu, neste sábado (17), participantes de 23 nacionalidades no centro de São Paulo. O evento ofereceu workshops, revisão de currículos, apoio para regularização de documentos, capacitação profissional e acesso a oportunidades de emprego.

Batizada de Conexões que Transformam, a iniciativa foi realizada na Aliança Brasil Cidadã e promovida pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation.

Ao todo, 136 migrantes e refugiados se inscreveram para participar das atividades. Entre os participantes estavam venezuelanos, congoleses e haitianos, além de pessoas de outras nacionalidades que vivem no Brasil e buscam inserção no mercado de trabalho.

Desemprego e empreendedorismo

Segundo os organizadores, cerca de 70% dos participantes estavam desempregados. Mais da metade também manifestou interesse em abrir o próprio negócio.

Para Maria Helena Santuche, líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes do Grupo Mulheres do Brasil, muitos acabam recorrendo ao empreendedorismo por necessidade, sem necessariamente terem conhecimento sobre como estruturar uma empresa ou desenvolver uma atividade profissional no país.

A programação buscou justamente oferecer orientação para transformar essas ideias em possibilidades concretas de trabalho e renda.

Currículos e documentação

Uma das dificuldades enfrentadas pelos refugiados é adaptar a experiência profissional adquirida no país de origem às exigências do mercado brasileiro.

Durante a ação, os participantes puderam revisar os currículos e receber auxílio para traduzi-los e adequá-los ao formato utilizado no Brasil. Também foram oferecidas orientações relacionadas à documentação necessária para trabalhar.

Outro obstáculo é o reconhecimento de diplomas. Segundo os organizadores, há profissionais formados em áreas como medicina que ainda não conseguem exercer suas profissões no país porque precisam passar pelo processo de validação dos diplomas.

Mais de 1 milhão de refugiados e pessoas em necessidade de proteção

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), mais de 1 milhão de pessoas refugiadas ou em situação de necessidade de proteção internacional vivem atualmente no Brasil. Elas representam mais de 160 nacionalidades.

Venezuela, Cuba e Haiti estão entre os principais países de origem. Também há presença significativa de pessoas que chegaram ao Brasil vindas de países como Afeganistão, Irã, Síria e Palestina, em razão de conflitos e crises recentes.

Apesar de terem acesso garantido a políticas públicas como saúde e educação, essas pessoas enfrentam dificuldades para reconstruir a vida no país. O idioma, a falta de documentação, a necessidade imediata de renda e a ausência de uma rede de apoio estão entre os principais obstáculos.

Muitos chegam ao Brasil com formação profissional e experiência adquirida em seus países de origem, mas acabam trabalhando em funções diferentes daquelas para as quais foram preparados.

Apoio continua após o evento

Quem não participou da ação também pode buscar apoio por meio de organizações que oferecem serviços de orientação, capacitação e acesso ao mercado de trabalho.

O Acnur mantém uma plataforma com informações sobre documentação, trabalho e renda, permitindo que refugiados e migrantes encontrem organizações de atendimento em diferentes estados e municípios.

A Aliança Brasil Cidadã também oferece cursos gratuitos durante todo o ano, incluindo capacitações em informática, inteligência artificial e manicure.

A iniciativa realizada em São Paulo reforça a importância de ações de integração econômica para refugiados e migrantes, especialmente para profissionais que chegam ao Brasil trazendo experiência e qualificação, mas encontram barreiras para acessar o mercado formal de trabalho.

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