A elevação do nível do Rio Paraná, acompanhada de chuvas intensas, já afetou cerca de 3 mil famílias em nove departamentos do Paraguai. No departamento de Alto Paraná, na região de fronteira com o Brasil, aproximadamente 1,3 mil famílias precisaram deixar suas casas devido aos alagamentos.
A situação também atinge bairros de Ciudad del Este, cidade paraguaia vizinha a Foz do Iguaçu. As informações foram divulgadas pela Secretaria de Emergência Nacional (SEN) do Paraguai, com dados referentes ao cenário registrado até 19 de outubro.
Os departamentos de Ñeembucú, Misiones e Itapúa, no sul do país, estão entre as áreas mais atingidas. Em diversos pontos, residências foram inundadas e equipes de emergência permanecem mobilizadas para atender as famílias afetadas.
Rio Paraná ainda acima do nível normal
Apesar de o nível do Rio Paraná apresentar uma tendência de queda na região de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, a situação ainda exige atenção.
Segundo a Itaipu Binacional, o rio chegou a 118 metros acima do nível do mar em 19 de outubro, permanecendo aproximadamente 16 metros acima do nível considerado normal, que é de cerca de 102 metros. A redução ocorre de forma lenta e gradual.
O pico registrado na região da Ponte Internacional da Amizade havia chegado a aproximadamente 121,4 metros, em 14 de outubro, durante o período mais crítico da cheia.
Mesmo com a redução, a orientação é que moradores não retornem a áreas sujeitas a alagamentos enquanto houver risco.
Mais chuva preocupa autoridades
A possibilidade de novas chuvas mantém o alerta no Paraguai. A Direção de Meteorologia e Hidrologia do país prevê novas precipitações, principalmente na região Oriental, o que pode dificultar a recuperação das áreas atingidas e provocar novos alagamentos.
As chuvas intensas registradas nas últimas semanas contribuíram para a elevação dos rios da região. Na bacia do Rio Iguaçu, que também influencia as condições do Paraná na fronteira, foram registrados acumulados expressivos.
A Itaipu explica que o chamado efeito de remanso também interfere na elevação do Rio Paraná. Quando a vazão do Rio Iguaçu aumenta significativamente, o encontro dos dois rios dificulta o escoamento e pode contribuir para a elevação do nível do Paraná.
Ajuda às famílias
As autoridades paraguaias mantêm ações de assistência humanitária nas áreas atingidas. Entre os itens distribuídos estão alimentos, lonas plásticas e materiais de construção.
Em Ayolas, no departamento de Misiones, aproximadamente 1.040 famílias já haviam recebido atendimento. Na região de Ciudad del Este, equipes de emergência e voluntários também participam das ações de apoio às comunidades atingidas.
A organização espanhola Bombers Pel Món também auxiliou os bombeiros paraguaios no atendimento às famílias afetadas pelos alagamentos na fronteira.
Situação também é acompanhada em Foz
Do lado brasileiro, a Defesa Civil e a Itaipu continuam monitorando os rios Paraná e Iguaçu. Em Foz do Iguaçu, os níveis também apresentaram redução, mas áreas próximas às margens permanecem sob atenção.
A Itaipu mantém o acompanhamento hidrológico e recomenda que a população siga os comunicados oficiais e evite áreas alagadas ou com risco de novos transbordamentos.
O cenário na fronteira mostra que, embora o pior momento da cheia tenha passado, os efeitos da elevação do Rio Paraná ainda permanecem, principalmente para comunidades que vivem em áreas mais baixas no Paraguai.
Enquanto a água recua lentamente, a previsão de novas chuvas impede que as autoridades baixem a guarda. A natureza, aparentemente, não respeita nem calendário editorial.
