O mercado financeiro brasileiro inicia esta segunda-feira (26) sob forte pressão após a definição do segundo turno da eleição presidencial. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma reação negativa nos ativos brasileiros negociados no exterior, com quedas expressivas em ações, enquanto o real também perdeu valor diante do dólar.
No pré-mercado dos Estados Unidos, os recibos de empresas brasileiras apresentavam perdas acentuadas. As ações da Petrobras recuavam cerca de 20%, enquanto Itaú Unibanco, Bradesco e Nubank também registravam quedas superiores a 20%. O ETF EWZ, que acompanha ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos, chegou a cair 26%.
A reação ocorre porque parte relevante dos investidores vinha posicionada para um resultado diferente nas urnas. Com a confirmação da vitória de Lula, o mercado passou a reavaliar expectativas relacionadas à política fiscal, aos juros e ao desempenho dos ativos brasileiros.
Dólar também entra no radar
O mercado cambial registrou forte movimentação durante a noite de domingo. Contratos de real negociados no exterior chegaram a indicar uma desvalorização superior a 10% da moeda brasileira, levando a uma cotação equivalente próxima de R$ 5,55 por dólar. Esses valores, porém, correspondem a contratos negociados no exterior e não à cotação oficial do dólar comercial no Brasil.
Na sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno, o dólar comercial havia fechado a R$ 4,993, enquanto o Ibovespa terminou o dia aos 205.082 pontos, com alta de 0,47%.
Bolsa brasileira será o principal termômetro
A abertura dos negócios na B3 concentra a atenção dos investidores nesta segunda-feira. O desempenho das ações, do dólar e dos juros futuros deverá mostrar como o mercado brasileiro incorpora a reação registrada durante as negociações internacionais.
Analistas consultados por diferentes veículos projetam uma sessão de elevada volatilidade, com possibilidade de forte queda da Bolsa e pressão sobre o câmbio e os juros. O tamanho e a duração desses movimentos dependerão, entre outros fatores, das primeiras sinalizações econômicas do governo eleito e das expectativas para as contas públicas.
O Ibovespa vinha de um período de valorização expressiva e havia superado a marca de 200 mil pontos pela primeira vez na história após o primeiro turno. Agora, os investidores passam a acompanhar principalmente as medidas econômicas e fiscais que serão apresentadas para o próximo mandato.
Além do resultado eleitoral, a agenda econômica desta segunda-feira inclui a divulgação do relatório Focus, do Banco Central, que reúne as projeções do mercado para inflação, juros, câmbio e crescimento da economia.
