Foz do Iguaçu tem atualmente 601 pessoas em situação de rua, segundo o I Censo da População em Situação de Rua, realizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS). O levantamento revela que 83,3% dessa população é formada por migrantes, principalmente de outros estados brasileiros, que chegaram ao município em busca de oportunidades de trabalho e melhores condições de vida.
O estudo foi elaborado para traçar o perfil da população em situação de rua e orientar a criação de políticas públicas voltadas ao atendimento desse grupo.
O número identificado pelo censo é cerca de 40% inferior ao registrado no Cadastro Único (CadÚnico), que contabilizava 1.014 pessoas em janeiro de 2025. Segundo o secretário municipal de Assistência Social, Alex Thomazi, a diferença não significa, necessariamente, uma redução da população em situação de rua.
De acordo com ele, os dois levantamentos utilizam metodologias distintas. Enquanto o censo retrata a realidade observada durante a pesquisa de campo, o Cadastro Único é um banco de dados atualizado continuamente, além de a alta mobilidade dessa população dificultar comparações diretas entre os números.
Perfil da população
O levantamento mostra que aproximadamente 60% das pessoas vivem em situação de rua há até cinco anos e quase 70%estão em Foz do Iguaçu pelo mesmo período.
A pesquisa identificou que a população em situação de rua é composta majoritariamente por homens cisgênero (83,12%), heterossexuais (89,27%), pessoas pretas ou pardas (67,66%) e com idade média de 40 anos.
Conflitos familiares lideram causas
Entre os principais fatores que levaram essas pessoas às ruas, os conflitos familiares aparecem em primeiro lugar, citados por 30,93% dos entrevistados. Em seguida estão o uso de substâncias psicoativas (23,19%) e o desemprego (8,96%), indicando que a condição resulta de uma combinação de fatores sociais, econômicos e familiares.
Outro dado que chama a atenção é que mais de 36% afirmaram já ter sofrido violência física, enquanto cerca de 93%dependem de doações ou de serviços públicos para conseguir alimentação.
Apesar das dificuldades enfrentadas, 85% dos entrevistados disseram desejar deixar a situação de rua.
Uso de pessoas vulneráveis para transporte de mercadorias
Durante entrevista à Rádio Cultura, o secretário Alex Thomazi também destacou uma preocupação identificada ao longo da pesquisa: pessoas em situação de rua e de vulnerabilidade social estariam sendo aliciadas para transportar mercadorias entre Foz do Iguaçu e outros estados.
Segundo ele, grupos comerciais aproveitam a condição de vulnerabilidade dessas pessoas para realizar viagens levando produtos principalmente para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, prática que passou a integrar o debate sobre fiscalização na região de fronteira.
O I Censo da População em Situação de Rua foi realizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social em parceria com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), o Ministério Público do Paraná (MPPR) e outras instituições.

