A prática de exercícios físicos pode deixar de ser apenas uma recomendação geral de hábitos saudáveis e passar a integrar as prescrições médicas para proteger a saúde do cérebro. Essa é a proposta defendida por pesquisadores das universidades de Ottawa e Toronto, no Canadá, em artigo publicado na revista científica Brain Health.
O estudo destaca que a atividade física atua em diferentes áreas do funcionamento cerebral, contribuindo para a preservação da memória, da capacidade de raciocínio, do equilíbrio emocional e das relações sociais.
Para os pesquisadores, os exercícios precisam ser tratados como parte efetiva dos cuidados com a saúde, com orientações individualizadas sobre modalidade, frequência, intensidade e duração, além de acompanhamento profissional.
Exercícios ajudam na memória e na saúde mental
A análise reúne evidências de diferentes pesquisas científicas que apontam os benefícios da atividade física para o cérebro.
Um dos estudos citados foi realizado com adultos mais velhos e identificou que exercícios aeróbicos contribuíram para aumentar o volume do hipocampo, região cerebral diretamente relacionada à memória e ao aprendizado.
Outras pesquisas também apontam redução de sintomas de depressão, ansiedade e sofrimento psicológico entre pessoas que praticam atividades físicas regularmente.
Caminhadas, corridas, ioga e treinamento de força estão entre as modalidades associadas a benefícios para a saúde mental.
Atividade física também é importante no tratamento de transtornos mentais
Os pesquisadores chamam atenção especialmente para pessoas com esquizofrenia e outros transtornos mentais graves, que apresentam maior exposição ao sedentarismo, problemas metabólicos e doenças cardiovasculares.
Nesses casos, o exercício pode contribuir simultaneamente para a saúde física, a capacidade cognitiva e a redução de sintomas psiquiátricos.
A recomendação é que a atividade seja adaptada às condições e possibilidades de cada pessoa, respeitando limitações e necessidades individuais.
Quanto exercício é recomendado?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda para adultos:
De 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada; ou
De 75 a 150 minutos semanais de atividade física intensa;
Exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana.
Para quem está sedentário ou enfrenta dificuldades relacionadas à depressão, os pesquisadores sugerem começar com pequenas atividades, como caminhadas de cinco minutos, exercícios realizados sentado ou tarefas cotidianas que envolvam movimento.
A proposta é construir uma rotina gradualmente, respeitando os limites individuais.
Os especialistas reforçam que a prática de exercícios não substitui tratamentos médicos ou psicológicos, mas pode funcionar como uma importante aliada na prevenção e no cuidado com a saúde cerebral.

